Melhorando o desempenho das fraldas ao mesmo tempo em que economiza dinheiro

3/8/2021
CEO da Richer Investment e CEO da Diaper Testing International

Há exatamente um ano, compartilhei um pequeno artigo intitulado “Short Fibers and The Paradox of Pad Integrity, Myth or Reality?”. Esse texto foi visto por milhares de profissionais da indústria de fraldas e posteriormente traduzido por um fabricante de celulose para outros idiomas. Nele, discuti os benefícios do uso de fibras curtas, como a fluff de eucalipto, para aumentar a capilaridade do pad, melhorar o wicking, reduzir a espessura das fraldas, reduzir custos de embalagem e aprimorar a maciez percebida. Também desmistifiquei alguns mitos sobre fibras curtas e integridade dos pads que acompanham o setor há quase seis décadas. Muitas pessoas entraram em contato comigo pedindo orientações sobre como aplicar esses conceitos e, principalmente, uma diretriz simples que pudesse ser usada durante a fabricação. A seguir, compartilho algumas sugestões sobre como aproveitar esses benefícios, explicando por que essa é uma oportunidade concreta de economizar dinheiro enquanto se melhora o desempenho da fralda.

A maciez das fraldas deixou de ser apenas um diferencial e se tornou um dos atributos mais importantes solicitados por consumidores em todo o mundo. Para atender a essa demanda, novas tecnologias de nonwoven tiveram de ser implementadas e continuam evoluindo. Geralmente, a maciez é melhorada por meio da substituição do backsheet por materiais mais suaves, do uso de lofts superiores ou de materiais com maior GSM, além da aplicação de texturas 3D que criam uma sensação de suavidade. Entretanto, materiais de alto loft podem representar riscos, como o desprendimento de fibras que podem se soltar e chegar à boca de bebês.

O que nem sempre é conhecido é que é possível melhorar significativamente a maciez apenas tornando o núcleo absorvente mais suave. Muitos já devem ter percebido uma ligeira melhora ao substituir o envoltório do núcleo por um material nonwoven, mantendo o restante da construção igual. Agora imagine o impacto ao suavizar todo o núcleo, não apenas seu envelopamento. Apesar disso, reduzir simplesmente a densidade do bloco sem alterar os ingredientes não é uma boa solução: isso aumenta os custos de embalagem e pode comprometer a integridade do pad. Além disso, essa abordagem contraria tendências importantes do mercado atual, como explicarei a seguir.

Uma solução mais eficaz para melhorar a maciez é misturar fibras de eucalipto ao núcleo. A quantidade ideal depende do tipo de produto final. Produtos destinados a baixas capacidades, como absorventes femininos ou boost pads, podem ser fabricados sem mistura com pinheiro. Produtos que não estão sujeitos a intensa movimentação, como underpads e tapetes pet, também podem utilizar fluff de eucalipto sem a necessidade de combiná-la com fluff de pinheiro. Já produtos que precisam de maior integridade estrutural, como fraldas infantis, pants (principalmente quando usadas por crianças) ou roupas íntimas adultas descartáveis, devem utilizar uma mistura de fibras curtas e longas para alcançar maciez sem sacrificar estabilidade.

As pants adultas produzidas em formadores de tambor duplo apresentam uma vantagem adicional: podem se beneficiar do gradiente de densidade criado pelo uso combinado de fibras de pinheiro e eucalipto em camadas distintas. É possível aumentar a quantidade de fibras e a densidade do pad utilizando mais eucalipto, resultando em um núcleo mais compacto e macio, sem a necessidade de altos investimentos em melhorias de backsheet.

A tendência global por produtos mais finos é evidente. Em mercados maduros, consumidores preferem fraldas mais delgadas, pois buscam melhor ergonomia e um ajuste mais confortável, além da preocupação estética. Para adultos, essa necessidade é ainda mais crítica: eles demandam produtos mais discretos, que preservem sua dignidade e permitam que possam ser carregados com facilidade durante viagens ou deslocamentos. Nesse contexto, produtos mais finos são também mais econômicos, já que reduzem custos logísticos e de embalagem. No entanto, surge uma questão importante: até onde é possível reduzir a espessura de uma fralda?

Após analisar centenas de avaliações de consumidores e participar de testes com usuários domésticos nos Estados Unidos, constatei que núcleos sem fluff tendem a vazar mais cedo, sobretudo após o segundo insulto. Evitar esses vazamentos iniciais em núcleos sem fluff exige uma engenharia extremamente avançada, difícil de implementar para a maioria das fábricas. Na minha experiência, a menos que esses núcleos sem fluff sejam equilibrados com a quantidade correta de fibras reticuladas (como fibras cacheadas) ou recebam um ADL de maior gramatura, não é raro que fraldas com uma pequena porcentagem de fluff apresentem desempenho superior às sem fluff, principalmente sob certas posições corporais. Por essa razão, não vejo muitas marcas buscando máquinas especializadas para fraldas sem fluff, apesar do exemplo de algumas poucas referências no setor. A mistura entre fibras curtas e longas oferece vantagens naturais, sem exigir que se elimine completamente a fluff tradicional.

Para maximizar a capacidade de um núcleo absorvente é necessário aumentar a eficiência da utilização do pad. Aumentar a ADL pode ajudar, mas é uma solução cara e que, quando aplicada de forma ampla demais, pode favorecer vazamentos nas bordas. Por isso, a ADL deve permanecer como um patch e não como uma camada contínua. Aumentar a capilaridade do núcleo sem elevar seus custos é uma alternativa mais eficiente, e é justamente nesse ponto que uma mistura com eucalipto supera o pinho sozinho. Ao reduzir o espaçamento entre fibras e aumentar a densidade do núcleo, a capilaridade melhora. Esse é um fenômeno conhecido na dinâmica dos fluidos: não são as fibras em si que retêm líquidos, mas os espaços entre elas. Por esse motivo, núcleos que utilizam fibras curtas tendem a apresentar maior eficiência — algo que, embora nem sempre evidente em laboratório, aparece claramente em medições de capacidade máxima antes do vazamento (MCBL) com manequins ou testes de uso real.

Outra demanda importante dos consumidores é o uso de materiais sustentáveis. É amplamente reconhecido que o eucalipto é uma alternativa ambientalmente mais vantajosa do que o pinheiro para captura de carbono. Árvores jovens capturam CO₂ em taxas mais altas do que árvores maduras, o que torna o ciclo de corte do eucalipto — mais curto — ainda mais favorável do ponto de vista climático. Utilizar mais eucalipto permite reduzir o ciclo de colheita a um terço do tempo, garantindo mais replantio e aumentando o sequestro líquido de carbono. Acredito também que, nos próximos anos, a reciclagem pós-consumo de fraldas se tornará viável, com componentes sendo reciclados em vez de destinados a aterros ou incineradores. Quando isso acontecer, fraldas descartáveis poderão ter uma pegada de carbono ainda mais baixa, superando alternativas como biodegradação, incineração ou até mesmo o uso de fraldas de pano.

Em resumo, é possível gerar economia misturando fluff de eucalipto no moinho. Entretanto, é imprescindível ajustar o debulking na linha de produção. Para misturas 50% eucalipto e pinheiro, estima-se uma redução de 15% a 20% na espessura. Em misturas 100% eucalipto, essa redução pode chegar a 25% ou 30%, dependendo da umidade da polpa e das condições da planta. Devido à resiliência natural do pad, a redução física na lacuna pode não corresponder exatamente à redução final da espessura, de modo que é necessário prever uma margem de erro. Ainda assim, mesmo em estimativas conservadoras, uma redução de 15% no volume pode resultar em economia líquida de pelo menos 2%, considerando embalagem e distribuição, podendo ser ainda maior quando não há necessidade de misturar com pinheiro.

É fundamental também avaliar a integridade do pad após a alteração da composição. Se necessário, instituições como a Diaper Testing International, em Houston, podem realizar testes independentes a custos acessíveis. Adesivos hot melt de integridade também podem ser usados como recurso adicional. Para misturas de 50%, o uso desses adesivos tende a ser mínimo ou desnecessário. Em misturas com porcentagens mais altas de eucalipto, pode ser necessário compensar com adesivos específicos, como já ocorreu no setor quando o uso de SAP aumentou de 40% para 60%. Núcleos com 100% eucalipto provavelmente também exigirão ADLs ligeiramente mais espessas, devido à velocidade reduzida de absorção esperada em pads mais densos. Entretanto, espera-se que esse custo adicional seja menor do que a economia obtida com a redução de embalagem e distribuição, além dos benefícios gerados em maciez, absorção e sustentabilidade.

Por fim, não acredite em premissas teóricas — nem mesmo nas minhas — sem validar na sua própria linha de produção. Cada fábrica tem condições de operação únicas. Teste, meça e valide em condições reais. Este é, provavelmente, o melhor conselho que posso oferecer hoje.